
Quem assiste Lost sabe o quanto é fofo o amor entre os personagens de Penny e Desmond. Partindo do batido clichê de moço pobre se apaixona por moça rica e pai da moça despreza o moço, os roteiristas da série souberam com maestria costurar um romance moderno e relevante, em meio a uma trama que sempre procurou valorizar tanto os mistérios existenciais da série, quanto as relações pessoais ditas "mais básicas".
Sempre tive um pouco de raiva de alguns fãs de Lost que chamavam os romances e outras relações na série de encheção de linguiça. Meu argumento era sempre de que, se a trama acontece com humanos e entre personagens tão bem construídos, era lógico que teríamos esse tipo de subtrama. Pra mim, as pessoas que queriam só ação, deveriam é ver 24 Horas, CSI, ou esse monte de série policial aí que sai pelo ladrão de canais como o mesmo AXN que exibe Lost aqui no Brasil. Os mistérios da ilha sempre foram tão importantes quanto os mistérios pessoais de cada personagem, e isso que torna a série uma das mais interessantes da televisão.
Daí que o episódio dessa semana, o 6x11 Happily After Ever veio como uma afirmação a esses críticos de que sim, as relações entre os Losties são tão importantes quanto os bad numbers, a Dharma Iniciative, Jacob e Man in Black etc. No episódio focado em Desmond, houve pela primeira vez um real contato entre a realidade na qual os personages estão ainda na ilha e a realidade paralela causada pela detonação da bomba que impediu que o 815 sofresse o acidente que deu o start da saga. E esse contato foi devido a quê? Ao amor que Desmond sentia por Penny na realidade do acidente. Mesmo em situação paralela, onde o brotha não conhecia a filha de Widmore, Des conseguiu lembrar do amor que sentia pela loira. A mesma coisa aconteceu com Charlie (que consegue ser tão chato na realidade paralela quanto era na ilha) que lembra de Claire e Daniel, que lembra de seus sentimentos pela ruiva Charlotte. Distantes e separados por fatores que ainda são sabemos explicar, as realidades se tocaram graças a uma única coisa: o amor. Dessa forma, Lost mostrou que acima de tudo, o que fica é o amor.




